domingo, 27 de novembro de 2011

Com o tempo você percebe que você não é mais você, já não se sente mais em casa mesmo estando nela, mesmo com os amigos em volta, não faz diferença, você está simplesmente ausente, a vida passa e você observa como terceira pessoa.
Quer fazer algo bom e importante com a sua vida mas deixa o tempo passar e depois vê que não fez nada, você percebe que não está só pensando feito um velho mas agindo feito um.
A maior parte das coisas nem tem a mesma graça de antes. se está aqui quer estar lá e se está lá quer estar aqui, a verdade é que você não se vê mais em lugar nenhum, quer achar um lugar distante e começar do zero... ou juntar duas coisas em uma só... ou não fazer nada e deixar rolar...
Você sente que nem seu corpo mais é sua casa, percebe a solidão mesmo quando está rodeado de pessoas, se sente perdido dentro de você mesmo, perdido dentro de tantas ideias, perdido dentro de tantos sentimentos... nunca tinha pensado em como era difícil ser você mesmo. e você acaba se fechando, se trancando dentro do que sobrou de você, construindo um mundo só seu onde ninguém entra e você não compartilha com ninguém porque ninguém entenderia. essa é a sua realidade, e quando cai a ficha disso você simplesmente se sente....... só.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

:)

Nos olhos, o gosto amargo da ruptura, o peso do carinho e da ternura, tudo o que demorara tão pouco tempo para construir agora se desmanchava diante de seus olhos pesados como tinta escorrendo sobre uma tela. Buscava a calma e aos poucos ia engolindo a seco um choro louco que se formava bem lá no fundo, louco, sem poder esperar nem mais um segundo para soltar aquele grito agudo que aliviaria todas as tensões. Passou por tudo sozinha, olhou ao redor e viu tudo o que poderia sentir falta e procurou soluções fáceis para consolar a si mesma, dizendo em sua cabeça “pode ve-los em algum fim de semana” ou “não é o fim de tudo, tudo estará do mesmo jeito não importa quanto o tempo passe”... mas o que ela realmente queria era um simples abraço. O que não demorou muito, se apressou, olhou para seu amigo, olhou para seus olhos que a interpretavam cheios de dúvidas do que se passava, virou o rosto e se ajeitou confortavelmente nos seus braços, que logo a envolveram e silenciaram todas as palavras ruins que tinham passado pela sua mente poucos segundos atrás. Permaneceram nesse abraço por pelo menos mais 5 minutos, como se esse abraço pudesse traduzir tudo pelo que ela estava passando e tudo o que seu amigo queria ajudar. Se soltaram por alguns segundos, olharam para os olhos um do outro novamente, os olhos dele lacrimejavam mais do que os dela, como se ele realmente tivesse entendido tudo sem ela ter dito uma palavra, se abraçaram novamente, como se eles se soltassem pudessem cair... foi então que ela percebeu o que mais a preocupou e uma coisa na qual nunca pensou: alguém poderia sentir sua falta, alguém poderia até se sentir triste ou sozinho sem a presença dela... ela nunca tinha imaginado que algo assim pudesse acontecer, sempre achou que as outras pessoas eram mais frias do que ela... mas de repente todas as suas ideias mudavam...e de tão envolvida que estava com suas ideias, nem reparou quando chamaram seu nome pela 5ªvez, demorou um minuto para se tocar disso e outro minuto para responder algumas palavras soltas sem sentido nenhum.