terça-feira, 28 de dezembro de 2010


Um vento forte passa por mim, a vista é incomparável. A vontade é de pular, de cair, voar até o mar embaixo de mim. Olho para tras, nada pra me segurar, nada pra me impedir. ando em direção ao fim da pedra em que estou e olho para baixo calculando a altura e o tamanho do estrago que me causaria.
Corro para tras, respiro fundo, pego impulso e corro em direção ao fim da pedra de novo, vou chegando perto e paro, sento no chão, as lágrimas escorrendo de novo, agora porque penso que sou incapaz até de me jogar no mar. Não sou corajosa o suficiente nem para terminar tudo.
Sento, choro e começo a pensar de novo, ainda viva. De repente uma pessoa invade minha mente, seus olhos me olham com pena, com ternura e amor. Ela sorri pra mim, o sorriso que eu sempre esperei que fosse pra mim, o sorriso em um jovem garoto olhando pra mim. Que sorriso. Ele vem e me abraça, eu sinto que o vento para de gelar nessa hora. Tão real, não pode ser que é só alucinação minha. Esperei tanto por um abraço em que me sentisse tão protegida que de repente todos os meus medos vão embora, todos os problemas somem e a única coisa que importa é esse abraço.
Nada mais de lágrimas, o que quer que seja isso está me fazendo bem, deve ser um sonho, mas me deixo sonhar mais um pouco, mais algumas horas, mais uns dias, anos... e o tempo está passando, sei que está... mas nesse tempo todo nunca sinto fome, sede, sono... Só tenho uma necessidade básica: ficar ao lado desse ser pelo tempo que durarmos.
De repente ele vai sumindo do meu lado, me espanto, comecei a chorar de novo, porque ele tinha que sumir agora? estou sozinha de novo, tudo vai ficando meio fosco, meio escuro, um sono pesado me atinge de repente, o sono que não tive por tantos anos de sonho e de repente estou toda molhada, na beira da praia, ondas batendo em mim e o vento tão forte, tão frio... nada pra abraçar...
Então é isso? nada existiu? foi só uma alucinação enquanto eu caia na água? enquanto não sei como eu fui parar na praia? agora nem posso sonhar pra sempre e nem viver com a pessoa que tanto me amou em tão pouco tempo.
Me levanto e saio andando pela praia. Minhas pernas fracas, tenho vontade de sentar de novo e chorar mais. Nada disso, agora tenho um objetivo, tenho que encontrar a "coisa" de novo.

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