Fui me encostando, me esgueirando na vítma. Estranho me olhar assim, por tras. Fui chegando, me encostando, coloquei meu rosto perto ao dela, sussurrei:
-Vai, briga! É o que você quer não é? Você não quer isso?- e esperei, cautelosamente para que ela fizesse o que eu mandasse... ao invés disso retrucou. Probrezinha.
-Quem é você? o que está fazendo aqui? da onde você veio?
-Briga! Mata ela! você está com raiva, essa pessoa te perturba! Livre-se!
-QUEM É VOCÊ?
-Ai que perguntas bestas! você sabe tão bem quanto eu quem sou.
-Não, não sei! -disse trêmula, sua pele se arrepiando na minha presença.
-Saaabe... Pense um pouco! Sou a pessoa que mais te conhece, estou sempre com você. Estou aqui, sei tudo sobre você. Sei o que você quer agora, neste exato momento.
-QUEM É VOCÊ? ME RESPONDA AGORA!
Ri alto em seus ouvidos, sem tocar fui rastejando pelo espaço a sua volta.
-Eu sou quem você menos espera que eu seja. Eu sou você!
-Não obrigada. Sei bem quem sou. Não tem como eu não ser eu.
-Eu sou você, sou sua Dupla-Face. Todo mundo tem uma. Sou uma consciencia sua. Uma delas. eu venho lá do fundo da sua alma e te faço fazer coisas que você nem sabe que faz.
-HAHA, você não tem esse poder. Aliás, não sabe de nada sobre mim.
-Você tem uma paixão secreta, secreta entre aspas... Por uma pessoa proibida, a mulher dele não vai gostar nada da ideia vai? Mas e se ela sumisse? Como seria sua vida? Sua vida a dois? Vaamos, sei o que você quer e posso te fazer esse "favor" mim mesma.
-ah, hum.. ha!
Gaguejou, um calafrio passou por toda sua coluna, sua pele toda eriçada, as pupilas se dilatavam e o medo tomava um espaço maior em seu corpo. Cheguei cada vez mais perto e soube que ela estava cedendo. Suas costas pendiam para frente como se carregasse anos de vida nas costas.
Foi bem simples, foi só esticar minha mão, ela a segurou, quase livre e espontanea vontade. Foi então que o frenesi começou, suas pupilas se dilataram mais ainda e um instinto fora de controle dela tomou lugar. Era minha vez. Eu comandava.
Sussurrei novamente:
-Mata ela, ela já não precisa mais viver, pense na sua felicidade apenas. Se você não a matar você nunca saberá o que é ser feliz de verdade. Vai. -perdi minha paciencia- MATA ELA!
Então a joguei para a esposa chifrada, tão tomada pelo medo que podia morrer só de susto... mas eu queria o sangue.
Sentei e vi a morte toda bem de perto, quando minha pessoa estava se dando conta do que fazia eu jogava mais lenha na fogueira. Vi a navalha sendo passada bem suavemente pelo pescoço da outra, depois o sangue passando, alguns outros cortes para ir mais rápido, foi algo bem simples até. Esperei que minha pessoa se desse conta do ato.
Ela se desmanchou no chão, chorou, se descabelou, nunca tinha feito algo assim antes. Passou um tempo, uma parente da "outra" tinha chegado, fez algumas perguntas bestas que eu tive prazer em aconselhar nas respostas. Minha pessoa se contorcia no chão, ajeitei ela sentada como alguma pessoa um pouco mais normal, a fiz falar quase que tranquilamente.
-Você sabe quem fez isso?
-Não! Mas quem fez bateu em mim antes de matá-la! -respondi pelos lábios de outra. Algo bem interessante.
-Você não se lembra de nada?
-Nadinha.
-Tem sangue nas suas mãos!! Foi você sua desgraçada?
Pensei um pouco. Mais uma morte não faria mal. Estiquei os braços para minha pessoa, ela me abraçou de imediato, o controle estava mais fácil.
-Mata ela, antes que piores coisas aconteçam.
Outra morte, tão serena, tão silenciosa, tão frágil... Seres humanos tão sensíveis!
-Agora chega!-minha pessoa exclamou, cansada de mim.-Sai de mim, não quero mais isso!
Gargalhei em sua cara.
-Eu sou parte de você, sou sua Dupla-Face, não tem como se livrar de mim.
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